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Inauguração da Biblioteca de São Paulo

9 Fevereiro 2010

Com cara de livraria, biblioteca é inaugurada onde funcionava o Carandiru

Custo foi de 12,5 milhões; acervo tem 30 mil itens.

Foto: Daigo Oliva/G1
Área externa da Biblioteca de São Paulo, que vai abrigar um café e espaço para atividades e oficinas (Foto: Daigo Oliva/G1)

No local onde funcionava a Casa de Detenção do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, será inaugurada nesta segunda-feira (8) a Biblioteca de São Paulo. A abertura ao público será na terça.

Com pufes coloridos e poltronas confortáveis, o novo espaço cultural, que ocupa um pavilhão de 4.257 m2, foge do estereótipo da biblioteca pública com ar austero e lembra mais uma livraria moderna de grande rede.

A inauguração marca a etapa final da mudança do lugar que chegou a ser o maior presídio da América Latina, com cerca de 8.000 presos e foco de constantes rebeliões e fugas. A transformação começou em 2002, quando os primeiros pavilhões com as celas foram implodidos e deram origem, anos depois, ao Parque da Juventude. Dos sete pavilhões originais, somente dois foram mantidos e, depois de reformados, passaram a abrigar uma escola técnica.

“É com muita alegria que vamos ocupar esse lugar de tão triste memória”, afirma o secretário estadual de Cultura, João Sayad.

A biblioteca foi pensada com o objetivo de incentivar a leitura e será um centro de treinamento para todas as bibliotecas municipais que existem no estado de São Paulo.

“O frequentador vai encontrar os livros expostos pela capa, sem pretensão didática ou de erudição. Vão estar ali os livros mais procurados e os lançamentos recentes. O local pretende ser uma biblioteca que chama o público para ler. Vai ter Playboy, Claudia, Capricho e Caras”, enumera Sayad.

O prédio da biblioteca foi erguido inicialmente com a proposta de abrigar eventos e exposições, mas ficou fechado por alguns anos, sem nunca ter sido usado. Por causa das dimensões e do fácil acesso -fica em frente à estação do metrô Carandiru- foi escolhido para a biblioteca.

Da construção original, que, com suas paredes de vidro, privilegia a integração com o verde do parque, pouco precisou ser mudado. “As intervenções incluíram colocação de revestimento e isolamento acústico, mas a estrutura não foi mexida”, afirma a idealizadora e gestora do projeto, Adriana Ferrari, assessora de gabinete da secretaria.

O investimento de implantação foi de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). O custeio será de R$ 4 milhões. Uma verba adicional de R$ 1 milhão deve ser destinada todo ano para a atualização do acervo.

Com cerca de 30 mil itens, que incluem livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, a biblioteca dispõe de equipamentos de última geração, como um terminal de auto-atendimento, que permite ao usuário cadastrado liberar o empréstimo sozinho. Também há a preocupação com acessibilidade: o local tem de elevador e impressora em braile a software que faz a leitura em voz alta. O acesso à internet será de graça e computadores estão espalhados por todos os lados.

“A ideia é usar esses recursos concorrentes do livro, como a internet, a música e o DVD, para atrair o interesse pela leitura”, diz Adriana. De “Dom Casmurro” ao “Diário de Bridget Jones”, o acervo promete agradar a todos os gostos e ter um pouco de tudo.

Foto: Daigo Oliva/G1
Cabana de leitura na área destinada ao público infanto-juvenil da Biblioteca de São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)

 A biblioteca é dividida por faixa etária. Cabanas coloridas, com cadeiras e pufes, são o centro da atenção do pavimento térreo, destinado às crianças e aos adolescentes. Dependurados dos tetos, aviõezinhos de papel em tamanho gigante compõem a decoração.

Nesse andar também há um auditório para palestras e eventos e uma área externa coberta, com café e espaço para apresentações artísticas.

O primeiro andar é destinado ao público adulto. Com mesas de leitura, computadores e poltronas, o ambiente é aconchegante. O acervo com livros e DVDs de conteúdo adulto ficarão numa área restrita, com acesso permitido para maiores de 18 anos.

A expectativa é receber cerca de 700 pessoas diariamente. “Estamos muito animados e acreditamos que a biblioteca será muito bem recebida pela população”, diz a diretora da biblioteca, Magda Maciel Montenegro. Ela é integrante da Poiesis, organização social que administra também o Museu da Língua Portuguesa e a Casa das Rosas.

O local ficará aberto de terça a sexta das 9h as 21h, e, nos finais de semana e feriados, até as 19h. “Se houver demanda, também podemos pensar em abrir às segundas”, diz Magda. 

Biblioteca de São Paulo
Endereço
: Parque da Juventude. Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, Prédio 3 – Fica ao lado da estação de metrô Carandiru (Linha Azul)
– Há estacionamento pago para carros
Horários de funcionamento: Terça a sexta, das 9h às 21h. Sábado, domingo e feriado, das 9h às 19h
Entrada: gratuita

Foto: Daigo Oliva/G1
Terraço da biblioteca tem vista para o Parque da Juventude (Foto: Daigo Oliva/G1) 
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